Em comemoração ao centenário de nascimento de uma das mais reverenciadas cantoras da música brasileira, Campo Grande recebe pela primeira vez Alô...Alô? 100 Anos de Carmen Miranda. O show musical, que acontece dia 15 de novembro, compõe a programação do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante. Para o público, será a oportunidade de apreciar um pouco mais da obra dessa pequena grande notável, que colocou o Brasil no mapa da música universal com seu figurino exótico, balangandãs e alegria contagiante.
Depois de passar por Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, Salvador, Santo, Porto Alegre e Vitória Alô...Alô? 100 Anos de Carmen Miranda chega à cidade de Campo Grande com direção artística e musical de Luís Filipe de Lima. No palco, o diretor (com seu violão de 7 cordas), Tiago Motta (sopros), Henrique Cazes (cavaquinho), Pretinho da Serrinha, Fabinho Cazes e Humberto Cazes (percussão) acompanham Roberta Sá e Pedro Luís em única apresentação.
Roberta Sá e Pedro Luís presenteiam o público de Campo Grande com clássicos do início da carreira de Carmen Miranda até sua projeção internacional, conquistada em Hollywood e na Broadway. Do ritmo carnavalesco ao junino, sucessos brasileiros darão um gostinho de nostalgia, com composições de Ary Barroso e Assis Valente. Taí, Balancê, Na Batucada da Vida, O que é que a baiana tem? e Tico-Tico no Fubá são algumas das canções que compõem o roteiro. Durante o show e entre os blocos de canções, o historiador José Antônio Nonato fará comentários acerca da vida e da obra da Pequena Notável.
Estrela de primeira grandeza
Autor de Carmen – Uma Biografia, o jornalista e escritor Ruy Castro lamenta o fato de o Brasil nunca ter tomado real conhecimento da extensão do sucesso de Carmen Miranda. Depois de ser a preferida de Getúlio Vargas e encantar o público brasileiro, a Pequena Notável decidiu fazer carreira em Nova York. Sem hesitação, decidiu recomeçar em um dos mercados mais disputados do mundo e já na noite de estreia, em uma revista musical da Broadway, se tornou grande nome em terras americanas. Em questão de semanas, rádios, nightclubs, capas de revistas, anúncios de publicidade e até vitrines de grandes lojas aclamavam a Brazilian Bombshell.
Carmen tinha o que todos – brasileiros ou gringos - desejavam em tempos de pré-guerra e de conflitos: a imagem da alegria. Pouco compreendida, devido ao seu parco inglês, era através de sua energia que conquistava os fãs americanos. No Brasil, foi popular principalmente com as classes mais carentes. A elite lhe torcia o nariz, mesmo com o estrondoso sucesso norte-americano. Carmen chegou a se magoar com o Brasil e só viria a fazer as pazes com o País no final da vida. Apesar disso, sua popularidade como rainha e divulgadora do samba crescia sem parar. Carmen tinha o talento de que o povo gostava.
Brasileira de coração
Apesar de portuguesa de nascimento, Maria do Carmo Miranda da Cunha (Carmen Miranda) cresceu, fez carreira, amou e adotou o Brasil durante toda a vida. Sua carreira nos Estados Unidos foi pontuada sempre pela definição de uma identidade brasileira e latina, sendo até estigmatizada por isso. Profissional dedicada, foi sufocada pelo trabalho, na época em que os contratos com as produtoras e gravadoras beiravam o escravagismo. Carmen levou uma vida relativamente discreta, se comparada ao rol de escândalos e manchetes provocadas por outros astros, mas sempre se manteve na mídia mundial.
“Adotei o Brasil (ou ele me adotou) como País de estimação e afinidades e também gosto muito dos “States”, onde fui realmente consagrada, embora estrangeira. Sinto muito dizer, mas Portugal nada me significa, apesar do amor pelo meu País.”. Foi o que disse Carmen Miranda à amiga e jornalista, Dulce Damasceno de Brito.
Artistas
Roberta Sá
A nordestina Roberta Sá começou sua carreira musical aos 20 anos quando, por experiência, resolveu participar da seleção do programa Fama, veiculado pela Rede Globo. Foi neste momento que a artista decidiu que queria viver de música. Com o apoio de Felipe Abreu – preparador vocal do reality show e seu maior incentivador – decidiu fazer sua primeira apresentação no Rio de Janeiro. Logo depois lançou a primeira ‘demo’, que chegou às mãos do autor de novelas Gilberto Braga. Ele a convidou para regravar Dorival Caymmi na trilha da novela Celebridade. A partir de então, a artista virou sucesso brasileiro. Tem três álbuns gravados: Sambas e Bossas (2004), Braseiro (2005) e Que Belo Estranho Dia Para se ter Alegria (2007).
Pedro Luís
Conhecido por inovar a música popular brasileira, misturando rap, samba, hip hop, maracatu e funk, o carioca Pedro Luís trilhou sua carreira no underground carioca. Grande compositor, suas composições foram gravadas por Fernanda Abreu, Ed Motta, Adriana Calcanhoto e Ney Matogrosso. Em 1996, estreou com o grupo Pedro Luís e a Parede. Em sua trajetória musical, o artista também fez participações em discos e shows de consagrados ícones que gravaram suas composições.
Repertório
15/11 - Show A Pequena Notável, com Roberta Sá e Pedro Luís
Roberta Sá canta:
• Balancê (João de Barro e Alberto Ribeiro), 1936
• Disseram que voltei americanizada (Vicente Paiva e Luiz Peixoto), 1940
• Na batucada da vida (Ary Barroso e Luiz Peixoto), 1934
• Taí (Joubert de Carvalho), 1930
• Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu e Aloysio de Oliveira), 1945
Pedro Luís canta:
• Chegou a hora da fogueira (Lamartine Babo), 1933
• Goodbye, boy (Assis Valente), 1932
• Moleque indigesto (Lamartine Babo), 1933
• O dengo que a nega tem (Dorival Caymmi), 1940
• Paris (Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho), 1938
Os dois cantam:
• Alô, alô (André Filho), 1941
• Quem é? (Custódio Mesquita e Joracy Camargo), 1937
CCBB Itinerante
Com o objetivo de levar arte, cultura e lazer a várias capitais do país, o Banco do Brasil realiza mais uma edição do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante. Neste ano, o projeto passa por 18 cidades com eventos sócio-culturais. Durante 95 dias, crianças, jovens e adultos das cinco regiões do país estão sendo beneficiados com eventos nas áreas de música, teatro, literatura, cinema, dança e artes plásticas. O objetivo é democratizar a cultura e revelar novas tendências artísticas, proporcionando a valorização dos talentos locais.
SERVIÇO
"Alô...Alô? 100 Anos de Carmen Miranda"
Dia: 15 de novembro, às 20h.
Duração: 75 min.
Classificação indicativa: livre.
Lotação: 300 lugares
Local: Teatro Aracy Balabanian - Centro Cultural José Octávio Guizzo
Rua 26 de agosto, 453 - Centro
Informações: (67) 3317 1792
Entrada: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada) para estudantes e idosos. Clientes e funcionários do Banco do Brasil também pagam meia, extensivo a um acompanhante.